Detail of an elderly woman's hands holding a handful of grain corn. Selective focus
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Estudo da produção de milho no Brasil: Regiões produtoras, exportação e perspectivas.

Confira o artigo sobre Estudo da produção do milho no brasil: regiões produtoras, exportação e perspectivas, escrito por Aguinaldo Eduardo de Souza, João Gilberto Mendes dos Reis, Julio Cezar Raymundo, Roberta Sobral Pinto.

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O agronegócio é uma das principais atividades da economia nacional e de vital importância para a balança comercial brasileira. O milho é o segundo grão mais cultivado e exportado, perdendo apenas para a soja. Além disso, o cereal é o principal componente para a produção de ração animal, voltado para um dos principais segmentos do comércio exterior do Brasil, a cadeia produtiva de carne animal. Sendo assim, o objetivo deste artigo é investigar a produção nacional do milho, bem como, principais regiões e estados produtores, produtividade e áreas de plantio. Para tanto, foram coletados dados na Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os resultados mostram as duas principais regiões produtoras, Sul e Centro-Oeste, e que a 2ª safra, chamada de safrinha é a responsável pelo incremento da produção nacional do grão, em especial o estado do Mato Grosso, destaque como maior produtor nas últimas safras.

Introdução

O Agribusinessbrasileiro é um dos principais setores da economia nacional, e de fundamental importância  para  a balança  comercial  brasileira,  segundo  Souza et  al. (2017). As exportações do agronegócio brasileiro no ano de 2016, representaram US$ 85,0 bilhões. Seu principal mercados foi a Ásia, com US$ 37,4 bilhões.Os compradores mais  importantes  foram  a  China  com  US$  20,8  bilhões,  União  Europeia  (28  países), com US$ 16,7 bilhões, seguida pelos EUAque importaram US$ 6,3 bilhões (DEAGRO, 2016).

De acordo com dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos  USDA  (2017),  o  milho  é  o  grão  mais  cultivado.  A  produção  mundial  do  grão atingiu 968 milhões (t) em 2016. No Brasil o cultivodo milho vem ganhando espaço e se apresenta como um dos principais segmentos econômicos do agronegócio brasileiro, sendo o segundo grão mais exportado. Em 2016, os EUA lideraram o ranking mundial dos  principais  produtores  de  milho,  com  345  milhões  (t),  seguido  pela  China  com  224 milhões (t) e o Brasil com 67 milhões (t) (DEAGRO, 2016) (USDA, 2017).

O Brasil tem aproveitado o crescente aumento da demanda mundial pelo milho, visto que, o maior produtor mundial, os EUA, tem destinado parte da sua colheita para produção de etanol. Outro fato que contribui para uma maior participação do Brasil no mercado internacional é implementação de novas tecnologias no plantio, expansão de áreas   plantadas,   e   o   aumento   da   produtividade   tem   permitido   ao   Brasil   maior participação no mercado internacional (CONAB, 2017).

Diante  deste  contexto,  o  presente  estudo  tem  como  objetivo  invesrtigar  a evolução  da  produção  brasileira  do  milho  no  Brasil,  principais  regiões  e  estados produtores,   visando   contribuir   para   para   um   melhor   planejamento   logistico   de exportação,  tendo  as  projeções  de  crescimento  das  exportações  do  grão  no  mercado internacional, conforme projeções do Ministério da Agricultura(MAPA , 2016)Para compreender o panorama da produção do milho brasileiro e o papel das regiões produtoras,  optou-se  por  uma  pesquisa  quantitativa  de  caráter  exploratório. Para  tal, utilizou-se a base de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítica  (IBGE) e da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), observando as séries históricas.

A produção do milho no Brasil

No Brasil o milho é cultivado em duas etapas, 1º e 2ª safra. A região Centro-Oeste é a grande responsável pela produção da segunda safra.

Fonte: (DEPEC 2017).

Observa-se  na  tabela  1  a  importância  da  segunda  safra,  também  conhecida como  safrinha,  para  o  calendário  nacional  agrícola  do  milho.  Enquanto  que a primeira safra representa 40% da produção nacional, segunda safra é responsável por 60% de toda aprodução brasileira.7

O fato do plantio da segunda safra ser efetuado logo após a colheita da soja e no mesmo  local,  tem permitido uma maior produtividade da safrinha do milho, em virtude do aproveitamento dos resíduos de fertilizantes no solo dessas áreasde plantio (REIS et al., 2016).

Segundo  a  CONAB  (2017), através  do  acompanhamento  da  série  histórica  da produção  de  grãos  brasileiros,  iniciado  na  década  de  70,  registram  um  aumento  de mais  de  245%  na  produção  do milho nos últimos 39 anos. Os estudos consideram as safras de 1976/77 a 2015/16 (Fig. 1).

Observa-se  na  Figura  1,  o  primeiro  registro  de  produção  do  grão  na  safra 1976/77,  com  19  milhões  (t)  produzidas.  Na  safra  de  1986/87  os  dados  apontam  26 milhões  (t).  Na  década  de  90,  em  especial  a  safra  de  1996/97  o  volume  foi  de  35 milhões  (t).  Já  a  safra  de  2006/2007,  51  milhões  (t),  apontando  um  crescimento exponencial na produção nacional do cereal.

Em que pese uma significativa queda na produção da safra 2015/16 com 21,4% com  66  milhões  (t)  em  comparação  com  a  safra  de  2014/15  de  84  milhões  (t),  as estimativas  da  CONAB  indicam  uma  colheita  recorde  em  torno  de  91  milhões  (t)para safra 2016/17.

Referente   as   áreas   de   plantio,   poucas   foram   as   alterações.   Os   estudos evidenciaram que no ano de 1976, 11,7 milhões hectares eram destinados a plantação da  cultura  do  milho  no  Brasil.  Comparando  com  a  safra  de  2015/16,  houve  uma expansão de 34,97%, considerando uma área para cultivo de 15,9 milhões de hectares.

Uma  média  de  13,2  milhões  de  hectares  disponíveis  para  o  cultivo  ao  longo  da  série histórica de 40 anos. A   implementação   de   novas   tecnologias   tem   contribuído   para   significativos patamares   de   produtividade   no   Brasil,   que   comprovam   que   o   setor   vem   se profissionalizado (Figura 2). As novas tecnologias estão associadas a cultivares de alto potencial  genético  (híbridos  simples  e  triplos)  e  transgênicas;  espaçamento  reduzido associando à maior densidade de plantio; melhoria na qualidade de sementes; controle químico de doenças; correção de solos (EMBRAPA, 2017).

Como  ilustra  a  Fig.  2,  em  termos  comparativos,  a  safra  de  2015/16  teve  uma produtividade  de  4.178  kg/ha,  cerca  de  250%  a  mais  que  à  safra  de  1976/77,  onde  o Brasil colheu 1.632 kg/ha. As duas safras de maior destaque ao longo da série histórica foram a de 2014/15 com 5.396 kg/ha e de 2012/13 com 5.149 kg/ha. Na média da série histórica,  houve  uma  variação  de  mais  de  33%  no  aumento  da  produtividade  ao  logo dos 39 anos (Fig. 3).

Para  o  IBGE  (2017),  que  pesquisa  o  ano  civil,  a  projeção  de  colheita  da commoditydo milho é de 96 milhões (t) para o ano de 2017, um crescimento de 52% em  relação  a  produção  do  ano  2016  que  foi  de  63  milhões  (t),  como  podeser observado na Quadro1.

Fonte: IBGE (2017).

Regiões produtorasDe  acordo  com  a  CONAB  (2017),  a  produção  nacional  do  milho  está nas Regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste. Os cinco principais Estados produtores, são,  por ordem de grandeza, Paraná, Mato Grosso, Minas Gerais, Bahia e Pará.

Aolongo  das  quatro  décadas,  a  expansão  territorial  agrícola  no  Brasil  tem  crescido significativamente.  Até  as  décadas  de  1980  e  1990  a  produção  agrícola  nacional  era realizada especificamente na região Sul do país. O  aumento  de  demanda  pelo  grão  nacional  ea  disponibilidade  de  terras  mais baratas, propiciaram o deslocamento da produção da região Sul para o norte do Brasil, com destaque região Centro-Oeste. Para  Caldarelli  e  Bacchi  (2012),  outros  fatores  alavancaram  a  expansão  da cultura   do   milho   em   terras brasileiras.   Maior   rentabilidade   do   agricultor   com   a valorização  do  grão,  desregulamentação  da  economia,  acordos  internacionais  com redução  das  tarifas  de  importação,  impulsionaram  a  produção  nacional  de  grãos colocando o país a um patamar de maior competitividade.

Desse  modo,  pode-se  observar  uma  nova  configuração  na  produção  nacional, bem como nas regiões produtoras (Figura 4). Para  CONAB  (2017),  o  aumento  da  produção  está  diretamente  relacionado  a dois fatores, a utilização de novas áreas agricultáveis em novas fronteiras agrícolas e a implementação de tecnologias voltadas a promover maior produtividade nas tradicionais áreas de cultivo (Sul e Sudeste).

Conforme  ilustrado  na  Figura  4,  a  partir  de  meados  da  década  de  1980, configura-se uma nova dinâmica de produção do milho em regiões brasileiras.

Dados  analisados  com  base  no  período  das  safras  de  1990/91  a  2015/16 indicam  a  região  Centro-Oeste  como  maior  produtora  do  grão,  com  crescimento  de 520%.  Em  segundo  lugar  a  região  Norte  com  215%  de  expansão,  seguida  pela  Sul, Nordeste e Sudeste com 164%, 69% e 19% respectivamente.

Apesar da região Centro-Oeste tem apresentado o maior crescimento em termos de  produção,  a  região  Sul  se  destaca  com  maior  eficiência  em  produtividade,  como pode ser observado na Figura 5.

Fonte: CONAB (2017).

Os  estudos  observados  na  Figura  5,indicam  a  região  Sul  como  a  maior produtividade do Brasil, foram colhidos 6.068 kg/ha na safra de 2015/16. Em segundo lugar no ranking maior produtividade do cereal encontra-se a região Sudeste com 4.775 kg/ha, seguida pelo Centro-Oeste com 3.996 kg/ha. Com exceção a safra de 2011/12, onde  foram  colhidos  4.953  kg/ha,  a  região  Sul  se  apresenta  com  o  maior  índice  de produtividade entre as regiões, considerando as safras de 2006/07 a 2015/16.

Principais estados produtores

No  que  concerne  aos  principais  estados  produtores,  o Paraná  aparece  como  o maior produtor do grão até a safra de 2011/12. Entretanto, a partir da safras seguintes,  conforme série histórica (Fig. 6), o Mato Grosso assume o protagonismo no raking dos maiores produtores do grão, com os volumes de 19, 18, 20 e 15 milhões (t) produzidas nas últimas quatro safras. O que permitiu o impulso da produção no Mato Grosso, além do  aproveitamente  das  terras  produtoras  de  soja  (2ª  safra),  a  expansão  de  terras agricultáveis.

Ao  longo  do  acompanhamento  da serie  histórica  é  possível  notar  que  Paraná dispunha  de  2.153  mil/ha  (1976/77)  contra  2.612  mil/ha(2015/16),  uma  expansão  de terras  de  21,3%.  Já  o  Mato  Grosso,  teve  uma  expansão  de  1.436,6%  no  mesmo período.  Suas  primeiras  terras  disponiveis  para  a  cultura  do  milho  era  de  542  mil/ha (1976/77) contra as atuais 3.800 mil/ha(2015/16).

Fonte: CONAB (2017).

Os  estudos  também  evidenciaram  queda  na  produtividade  dos  dois  principais estados produtores, considerando a safra de 2015/16 em relação a 2014/15. O Paraná registrou  uma  queda  de  14,1% contra 33,9% de estado do Mato Grosso. Contudo, ao longo   da   série   histórica   o   estado   do   Paraná   detém   a   maior   participação   de produtividade entre os estados produtores.

Exportação

O  milho  é  o  principal  macro  ingrediente  para  a  produção  de  ração  animal.  A suinocultura  e  a  avicultura  de  corte  são  os  grandes  propulsores  do  consumo  nacional do  milho.  Para  Reis et  al.  (2016),  o  cultivo  do  milho  tem  como  destino  atender  a demanda  interna,voltada  a  produção  de  ração  animal.

Além  do  que,  o  grão  supri também a indústria alimentícia para consumo humano e outros produtos em gerais. O excedente da produção é absorvido pelo mercado internacional. Ainda que os aumentos da produtividade do grão seja expressivo, o Brasil não é um  exportador  tradicional  do  grão.  Desse  modo,  a  produção  brasileira  segue  a tendência  determinada  pelas  demandas  do  mercado  doméstico,  apresentando  pouca interação com o mercado internacional (CALDARELLI e BACCHI, 2012).

Dados  coletados  no  portal  da  Aliceweb  apontam  que  não  obstante  a  queda  de 24,4% nas exportações em relação ao ano anterior, no ano de 2016 o Brasil exportou 21 milhões (t) de milho (MDIC, 2017).

Figura 7–Dez principais mercados do milho brasileiro.

Fonte: Trade Map -Trade statistics for international business development (2017).

A Figura 7 ilustra os cinco principais destinos do cereal no ano de 2016. Entre os principais compradores estão o Irã na liderança do ranking com 21% das exportações. Em segundo lugar aparece o Vietnã com 13%, seguido por Japão, Malásia e Coréia do Sul, com 12%, 7% e 6% respectivamente.

Conclusões e Perspectivas

Visando descrever o panorama do plantio do milho brasileiro, o presente estudo conclui que, de acordo com a série histórica de 1976/77 a 2015/16, a produção nacional do  grão  cresceu  245,5%.  Observou-se  um  incremento  de  250%  na  produtividade  no mesmo  período,  tendo  uma  variação  de  aproximadamente  de  33%  na  média  da  série histórica,  comparado  entre  as  décadas  de  colheita.  Referente  as  áreas  de  cultivo, houve  uma  expansão  média  de  34,97%,  saltando  de  11,7  para  15,9  milhões  de hectares  de  áreas  destinadas  ao  cultivo  do  cereal.  Além  disso,  a  partir  de  meado  da década  de  1980,  o  cultivo  do  milho  se  deslocou  da  região  Sul  e  Sudestepara  as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Das principais novas fronteiras produtoras do milho, o destaque ficou para a região Centro-Oeste, com ganhos de produção de 520%. Evidentemente a 2ª safra a grande responsável pelo crescimento da região. No ranking dos  cinco  principais  estados  produtores  estão  o Paraná,  Mato  Grosso,  Minas  Gerais, Bahia e Pará. O Paraná até a safra de 2011/12 manteve a liderança absoluta do maior produtor  nacional  do  grão.  No  entanto,  a  partir  da  safra  de  2012/13,  o  Mato  Grosso assumiu  a  liderança.    O  crescimento  das  áreas  disponiveis  para  plantio,  justificam  a produção  dos  dois  principais  estados  produtores.  O    Paraná  teve  uma expansão  de 21,3%  ao  longo  do  periodo  estudado  (1976/2016),  porém  o  Mato  Grosso  teve  um crescimento  exponencial,  1.436,6%  no  mesmo  período.  Por  último,  o  crescimento  da produção da proteina animal e o aumento da demanda mundial pelo milho que norteará a  cadeia  produtiva  nacional  do  milho.  Deste  modo,  os  próximos  estudos  poderão  se concentrar na melhora logística das principais regiões produtoras.

Referências Bibliográficas

CALDARELLI,  C.  E.;  BACCHI,  M.  R.  P.  Fatores  de  influência  no  preço  do  milho  no Brasil. Nova economia, p. 141-164, 2012.

CONAB. Estimativa  do  escoamento  das  exportações  do  complexo  soja  emilho  pelos portos  nacionais  safra  2016/17.  CONAB -Companhia  Nacional  de  Abastecimento. Brasilia. 2017.

CONAB.  Séries  Históricas  de  Área  Plantada,  Produtividade  e  Produção,  Relativas  às Safras  1976/77  a  2015/16  de  Grãos,  2001  a  2016  de  Café,  2005/06  a  2016/17  de Cana-de-Açúcar. Conab -Companhia  Nacional  de  Abastecimento,  2017.  Disponivel em: <http://www.conab.gov.br/conteudos.php?a=1252>. Acesso em: 26 Junho 2017.

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Fonte

DE SOUZA, Aguinaldo Eduardo et al. ESTUDO DA PRODUÇÃO DO MILHO NO BRASIL. South American Development Society Journal, [S.l.], v. 4, n. 11, p. 182, ago. 2018. ISSN 2446-5763. Disponível em: <http://www.sadsj.org/index.php/revista/article/view/150>. Acesso em: 03 ago. 2022. doi: http://dx.doi.org/10.24325/issn.2446-5763.v4i11p182-194.

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Daniel Vilar
Daniel Vilar
Agrônomo e produtor de conteúdo na Agriconline