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Abate humanitário de bovinos: Manejo pré-abate

Confira o artigo sobre manejo pré-abate, do livro: Abate humanitário de bovinos, escrito por Charli Beatriz Ludtke, et al.

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Introdução

Manejo pré-abate envolve três elementos-chave: animais, instalações e pessoas. Esses elementos interagem entre si com efeitos que podem contribuir para um bom manejo, desde que estejam em harmonia. Para isso é necessário o conhecimento de cada elemento e de sua influência nos demais, buscando sempre boas interações. O melhor nível possível de bem-estar animal estará na interseção positiva entre os três elos.

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 • Animais: reagem ao ambiente e ao comando das pessoas envolvidas no manejo, havendo diferenças individuais e entre raças;

 • Instalações: a forma como a estrutura física da fazenda e do frigorífico é projetada e construída para favorecer o manejo;

 • Pessoas: como as pessoas se comportam e interagem com os bovinos e com as instalações.

Esses três elos são interdependentes e o conhecimento sobre os animais é o impulso que dinamiza e favorece essas interações, e quando em harmonia, minimizam o nível de estresse nos animais e nas pessoas envolvidas.

No frigorífico encontramos bovinos de muitas procedências, onde vivenciaram diferentes experiências durante a criação na propriedade e que poderão interferir no manejo pré-abate. Assim, muitos bovinos são facilmente conduzidos porque tiveram um bom manejo na propriedade e aprenderam a responder adequadamente ao comando dos manejadores. No entanto, alguns animais podem ser difíceis de serem manejados e isso pode estar associado à genética dos animais, ao manejo na criação, à deficiência das instalações do frigorífico, ou à forma de condução dos manejadores.

As instalações devem ser projetadas de acordo com o comportamento e a percepção dos bovinos. A utilização dos recursos oferecidos pelas instalações ao manejo depende do conhecimento e do comprometimento dos manejadores, assim como a avaliação e correção de suas limitações.

Além do conhecimento sobre as instalações e os animais, é de grande importância para os manejadores conhecerem os efeitos de seu próprio comportamento no processo de manejo. Atitudes agressivas podem provocar reações mais aversivas nos animais e dificultar o manejo.

Um bom manejador é também um bom observador. Antes de iniciar o manejo, é ideal que sejam observados o nível de agitação e o temperamento dos animais, para que essas informações indiquem como se comportar diante de cada lote de bovinos. Poderá haver uma maior ou menor necessidade de estimular os animais para que respondam ao manejo na direção e velocidade desejadas.

Se os animais aumentarem significativamente seu nível de estresse, podem tornar-se excessivamente temerosos e/ ou agressivos, o que dificulta o controle e a condução do grupo, exigindo do manejador a habilidade de manter-se calmo, controlando seu próprio nível de estresse.

O cuidado é princípio básico no manejo, mesmo em situações em que os animais estejam com baixo nível de agitação.

Imagem: manejo calmo diminui o estresse para animais e pessoas

A zona de fuga

bovinos preservam uma área ao seu redor, denominada “zona de fuga”, que é definida pela máxima aproximação que um animal tolera da presença de um estranho ou ameaça, antes de iniciar a fuga. Quando a zona de fuga é invadida o animal tende a afastar-se para manter uma distância segura da ameaça.

O tamanho da zona de fuga é variável e depende da espécie, raça, das experiências vividas pelo animal e de determinadas situações no momento do manejo.

 A maneira (agitado ou calmo) como o manejador se aproxima de um bovino irá influenciar em sua zona de fuga, assim como o estado do próprio animal. Desse modo, quando um bovino se encontra estressado, sua zona de fuga é maior do que quando ele está calmo.

Quando os bovinos estão presos num curral, a zona de fuga é mais evidente e facilmente observada. Em currais de frigoríficos, por exemplo, é comum ver bovinos se agruparem e manterem uma zona de fuga em relação aos locais de circulação de pessoas.

Raças menos reativas e bovinos que tiveram experiências positivas com o manejo na fazenda também tendem a ter uma zona de fuga pequena, como por exemplo, as vacas leiteiras que têm contato diário com os tratadores e se habituam a eles.

Imagem: zona de fuga determinada pelo bovino para se proteger de ameaças ou predadores

Imagem: bovinos mantêm a zona de fuga em relação à circulação de pessoas

Imagem: zona de fuga durante o manejo na fazenda e no frigorífico

A compreensão da zona de fuga é importante para influenciar, conduzir e controlar a movimentação dos bovinos. Para isso, o manejador deve:

• Situar-se fora da zona de fuga e em um dos lados, evitando se posicionar na área cega do animal;

• Caminhar para dentro da zona de fuga para fazer o animal avançar;

• Logo que o animal seguir, avançar com ele, permanecendo dentro da zona de fuga;

• Observar que, ao mover-se para fora da zona de fuga do bovino e parar, o animal para de se movimentar.

 Os bovinos são conduzidos em grupo, por isso não é possível entrar na zona de fuga de cada animal. No entanto, é necessário que o manejador esteja posicionado de forma que todos os bovinos possam visualizá-lo.

Logo que o manejador entrar na zona de fuga do animal, a reação do bovino será fugir. Se não houver espaço para o animal fugir, o bovino irá para trás do manejador, evitando aproximação. Se os bovinos forem criados a pasto, sem contato habitual com pessoas e estiverem agitados, essa reação poderá ser violenta, caso o manejador se aproxime excessivamente ou faça movimentos bruscos.

O manejador pode influenciar a reação do animal, levando-o a aumentar ou diminuir sua velocidade de fuga, de acordo com movimentos e postura corporal. Agindo de forma calma e em silêncio, o manejador reduz a velocidade de reação do animal; níveis crescentes de barulho ou movimentação, por parte do manejador, aumentarão essa resposta. Muitas vezes, para preservar o manejo tranquilo diante de animais agitados, será necessário que os manejadores fiquem ainda mais calmos e silenciosos.

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Ponto de equilíbrio

O ponto de equilíbrio é um limite estabelecido na pa[1]leta (escápula) do bovino que determina, de acordo com o posicionamento do manejador, a direção que o animal irá seguir.

Imagem: representação da zona de fuga e ponto de equilíbrio do bovino

O princípio do ponto de equilíbrio é bastante utiliza[1]do em corredores estreitos ou bretes, onde a movimentação dos bovinos é limitada, podendo apenas avançar ou recuar, evitando a proximidade dos manejadores. A sequência abaixo mostra os posicionamentos do manejador para que o bovino se desloque de forma desejada no brete:

• O manejador deve entrar na zona de fuga e ficar no início do brete, à frente do primeiro animal (posição 1);

• Caminhar movimentando-se da posição 1 para a 2 passando o ponto de equilíbrio de cada animal para estimular que avancem;

• Quando chegar ao fim do brete, o manejador deve sair da zona de fuga (posição 3) e retornar à posição inicial;

• Para mover um animal por vez do brete para o boxe de insensibilização, o manejador deve entrar na zona de fuga e passar o ponto de equilíbrio e parar, estimulando o primeiro bovino a avançar e o seguinte a ficar parado. Logo que o primeiro animal começar a avançar, o manejador deverá segui-lo até a entrada no boxe.

Imagem: posicionamentos do manejador para condução dos bovinos no brete Fonte: adaptado de Grandin (2008).

A zona de fuga e o ponto de equilíbrio também auxiliam a condução dos bovinos na saída do curral. A intensidade da intervenção nessas características comportamentais dos animais para condução deverá ser de acordo com o temperamento dos animais do lote. Assim, bovinos com temperamentos diferentes devem ser manejados de forma diferenciada. Esse reconheci[1]mento do lote a ser conduzido é um dos fatores mais importantes para um bom manejo.

Animais mais reativos movimentam-se com pouco estímulo, ao passo que bovinos menos reativos necessitarão de maior intensidade de estímulos. Por isso, atenção deve ser dada ao posicionamento e nível de movimentação do manejador em relação aos diferentes tipos de lotes na saída do curral, conforme figuras da próxima págia.

O manejador deve entrar no curral calmamente e de modo que todos os animais percebam seus movimentos, posicionando-se próximo à porteira (posição 1) para que os bovinos vejam a saída. Em seguida deve caminhar afastando-se da porteira e entrando na zona de fuga do grupo, passando o ponto de equilí[1]brio dos animais mais próximos, até que o movimento se inicie (posição 2). Logo que os bovinos começarem a se movimentar em direção à saída, o maneja[1]dor deve controlar a velocidade e a quantidade dos animais que saem do curral. Para isso, ele poderá avançar um pouco mais adentro do curral (posição 3) e mover-se entre as posições 2 e 3, até o momento de cortar o lote em dois grupos (posição 4).

Esses posicionamentos deverão ser adaptados ao tamanho e desenho do curral e à reatividade dos animais manejados. O manejador deve manter a bandeira ao lado do corpo e só deve direciona-la aos bovinos ou para cima conforme a necessidade e de acordo com a reação do lote de animais. Com animais mais reativos, o manejador poderá permanecer nas posições 1 e 2 para controlar a saída calma dos bovinos. Nesse caso, a posição 3 causaria grande fluxo de saída dos animais, o que poderia promover aos bovinos o risco de contusões ao passarem na porteira e, para o manejador, maior dificuldade para cortar o lote.

Imagem: posicionamentos do manejador para estimular a saída dos bovinos do curral

Algumas vezes, há resistência dos animais em saírem do curral. Uma forma de facilitar esse manejo é retirar um número mínimo de animais e conduzi-los ao corredor, logo em seguida os demais os seguirão.

Após cortar o lote no curral, o manejador deve seguir atrás do grupo no corredor, com a bandeira levantada para que todos os animais conduzidos a vejam. Dessa forma, os animais são estimulados a avançar, evitando o retorno. O uso da voz também estimula os animais na condução, mas não deve haver gritos ou movimentos bruscos.

Sempre conduzir grupos pequenos e lembrar que a bandeira não deve ser utilizada para agredir os animais.

Atenção: O manejo de bovinos deve ser tranquilo, sem barulho, gritos, correria ou movimentos bruscos. Os animais devem estar atentos ao comando do manejador. Agitação excessiva pode causar pânico e descontrole.

Imagem: bandeira elevada facilita a condução dos bovinos no corredor.

O desembarque de bovinos

Após a chegada dos animais ao frigorífico, deve-se dar início à verificação da documentação dos animais para que o desembarque seja efetuado o mais rápido possível. Nas instalações do frigorífico, recomenda-se dispor de uma área sombreada e ventilada para abrigar os caminhões carregados, a fim de minimizar o estres[1]se térmico por calor dos bovinos durante essa espera.

É necessário que o caminhão esteja bem estaciona[1]do, com o compartimento de carga totalmente encostado ao desembarcadouro, sem deixar nenhum vão que possa dificultar a passagem dos animais.

Imagem: veículo bem estacionado, sem vão entre o desembarcadouro e o caminhão

Imagem: veículo mal estacionado promove riscos aos animais

Deve-se observar se há algum bovino deitado nos com[1]partimentos do caminhão. Caso haja, é necessário, primeiro, levantá-lo antes de iniciar o desembarque para evitar pisoteio, de acordo com os seguintes procedimentos:

• Antes de estimulá-los a levantar, verificar se há espaço à frente do animal;

• Fazer uso da voz, sem gritos. Bata palmas ou na lateral do veículo para estimulá-los a levantar. Sempre com calma. Quando necessário, faça uso da bandeira ou do chocalho;

• Quando o animal não apresenta condições de levantar, comunicar imediatamente ao profissional responsável pelo abate emergencial. Esse procedimento somente deve ser realizado por pessoas capacitadas e com equipamentos adequados (ver capítulo de condição física).

Para o melhor desembarque, a abertura dos compartimentos deve ser realizada abrindo as porteiras em sequência sentido desembarcadouro-cabine (posições 1 a 3). Ao abrir a primeira porteira, aguardar o bovino mais próximo do desembarque reconhecer o novo ambiente e descer, logo os demais o seguirão. É importante observar a saída desses animais e abrir a porteira do segundo compartimento, ainda com animais descendo no primeiro (posição 2). Os bovinos prestarão atenção na descida do lote e se sentirão estimulados a segui-los. Esse procedimento deve ter continuidade até o término do desembarque.

Imagem: a abertura das porteiras em sincronia com a descida dos bovinos facilita o desembarque

É ideal que os animais desçam a passo, sem correria e mantendo o contato visual entre eles. Portanto, o uso de auxílios para o manejo somente deve ser utilizado quando realmente necessário.

Algumas ações positivas no manejo podem prevenir a ocorrência de lesões nos animais durante o desembarque, dentre elas estão:

 • O manejo calmo, com animais desembarcando sem pressa, previne lesões laterais (paleta, costela e posterior) ocasionadas pelo trauma contra as instalações;

 • A total abertura das porteiras verticais (guilhotina) do veículo diminui o risco de contusões no dorso ou cupim.

Deve-se ter atenção especial ao manejo de animais em carretas de dois andares que apresentem desníveis acentuados no seu interior, sejam rampas ou degraus, já que bovinos apresentam dificuldade para se deslocarem em tais instalações, especialmente em descidas acentuadas.

No desembarque, normalmente os bovinos se movem facilmente e seguem uns aos outros. No entanto, podem interromper esse movimento quando há mau posicionamento do manejador, barulho ou pontos críticos nas instalações. Por isso, é importante ter atenção ao manejo, evitar o trânsito de pessoas e ruídos excessivos nessa área. Outro fator que facilita o desembarque é manter bovinos em currais próximos ao desembarcadouro, isso incentivará a saída dos animais que estão dentro do caminhão.

Imagem: degrau acentuado no interior de uma carreta de dois andares

Pessoas e animais

Há sempre um risco em manejar animais e a maioria dos acidentes ocorre de forma inesperada. Mesmo manejadores com experiência e que possam agir com rapidez são vulneráveis. Minimizar riscos é responsabilidade dos profissionais que atuam nessa área e não dos animais.

É importante reconhecer que o manejo dos bovinos deverá ser executado apenas por pessoas preparadas, de forma a minimizar estresse e atitudes agressivas contra os animais ou simplesmente um manejo sem cuidado. Assim, a capacitação dos colaboradores traz resultados positivos para o manejo.

Auxílios para o manejo

São recursos e atitudes do manejador que auxiliam na condução dos bovinos. Quando utilizados corretamente, esses auxílios estimulam os animais a se moverem para onde o manejador deseja.

Certos grupos de bovinos podem requerer mais persuasão do que outros. O essencial é que o nível de persuasão seja ampliado apenas quando não houver resposta dos animais, pois esse é o momento apropriado para a utilização de auxílios para o manejo, tais como:

Estímulos sonoros (chocalho e voz) – estimulam a condução do bovino através do som emitido. O uso da voz durante o manejo é uma prática comum em fazendas, muitos animais estão condicionados a responder com facilidade. Associados ao som, a movimentação e o posicionamento do manejador promovem uma resposta adicional. É importante salientar que a emissão do som de forma contínua não trará respostas tão significativas na condução, quando comparada à utilização intermitente. Deve-se evitar o uso rotineiro e contínuo do chocalho em animais que já estão se movimentando na direção desejada.

Não é recomendada a utilização de chocalho em animais muito reativos, principalmente sendo de metal, devido à possibilidade de causar estímulo excessivo.

Bandeira – estimula principalmente a condução, auxiliando, também, no bloqueio da visão. Por ser flexível, sua movimentação chama atenção dos animais, e a extensão do cabo promove aproximação, dando a impressão de que o manejador está mais perto dos animais. A bandeira não deve tocar no animal e é importante posicioná-la para o alto, de modo que os bovinos a serem conduzidos a vejam. O uso em conjunto da bandeira e voz é ideal para a condução dos animais.

Imagem: Bandeiras direcionadas aos animais e para cima facilitam o manejo no curral

Imagem: uso da bandeira “aproxima” o manejador em relação ao animal

Imagem: auxílio da bandeira facilita a divisão do lote na saída do curral

A bandeira também pode ser utilizada para virar o bovino na direção desejada. Para isso, basta que seja movimentada de um lado da cabeça do animal (posição 1) para que ele vire para o lado oposto (posições 2 e 3).

A bandeira pode ser elaborada com qualquer mate[1]rial que seja flexível e gere movimento, como sacos de ráfia, tecidos e outros. O tamanho e comprimento do cabo da bandeira devem estar de acordo com o temperamento dos animais e o local de manejo (brete, corredor, curral). Para bovinos menos reativos poderão ser utilizadas bandeiras grandes. No entanto, animais mais reativos podem sentir-se muito ameaçados com a bandeira e responderem de forma exagerada, promovendo descontrole na condução. Nesses casos, o melhor é mantê-la mais próxima ao corpo, sem levanta-la e o manejador deverá movimentar-se o mais calmamente possível.

Imagem: uso da bandeira para virar o bovino na direção desejada

Bastões elétricos – é um método doloroso e estressante devido à transmissão da corrente elétrica para o animal. Sua utilização é permitida apenas como último recurso, ou seja, quando todos os outros auxílios de manejo aplicados não obtiveram resultado, e somente nos bovinos que se recusam insistentemente a se mover. Em muitos países, a utilização desse recurso é controlada e limitada apenas ao brete que antecede o boxe de insensibilização.

O uso do bastão elétrico nunca deve ser tolerado em partes sensíveis do bovino, como ânus, genitais, focinho, olhos, úbere. Quando necessário, deve ser usado apenas:

• Nos animais que se recusaram insistentemente a seguir em frente;

• Sobre os quartos traseiros de bovinos adultos, acima do jarrete para evitar coices e riscos de acidentes;

• Quando há espaço à frente do bovino conduzido;

• Tempo máximo de um segundo, com pausa entre cada aplicação.

Imagem: uso da bandeira no brete

Estímulo com as mãos – incentiva o movimento através do contato físico com bovinos menos reativos. A intensidade da força aplicada e a região em que o animal está sendo tocado devem ser controladas e adequadas.

Imagem: bovinos menos reativos podem ser incentivados na condução com o uso das mãos

Bastões elétricos – é um método doloroso e estressante devido à transmissão da corrente elétrica para o animal. Sua utilização é permitida apenas como último recurso, ou seja, quando todos os outros auxílios de manejo aplicados não obtiveram resultado, e somente nos bovinos que se recusam insistentemente a se mover. Em muitos países, a utilização desse recurso é controlada e limitada apenas ao brete que antecede o boxe de insensibilização.

O uso do bastão elétrico nunca deve ser tolerado em partes sensíveis do bovino, como ânus, genitais, focinho, olhos, úbere. Quando necessário, deve ser usado apenas:

• Nos animais que se recusaram insistentemente a seguir em frente;

• Sobre os quartos traseiros de bovinos adultos, acima do jarrete para evitar coices e riscos de acidentes;

• Quando há espaço à frente do bovino conduzido;

• Tempo máximo de um segundo, com pausa entre cada aplicação.

Imagem: utilização incorreta do bastão elétrico

Atenção: O bastão elétrico deve ser utilizado somente no animal que tem espaço à frente e não naqueles que estão impossibilitados de andar.

O bastão elétrico nunca deve ser utilizado:

• Repetidamente, principalmente se o animal não reagir;

• Ligado diretamente à rede elétrica, devido ao fato de a alta voltagem provocar choques extremamente dolorosos.

A utilização do bastão elétrico deve ser controlada para proporcionar o mínimo de estresse e dor, ao invés do uso rotineiro e contínuo em animais que já estão se movimentando na direção desejada. Mudanças de hábito como a substituição desse recurso por bandeira melhoram o manejo.

Dicas para um bom manejo pré-abate de bovinos

• Observar a reatividade do lote para definir a forma com que irá manejar;

• Ter calma e controle durante o manejo;

• Avançar devagar na zona de fuga dos bovinos;

• Ter atenção ao posicionamento em relação aos animais, utilizando o ponto de equilíbrio e evitando a área cega;

• Conduzir pequenos grupos de animais por vez. O menor número de bovinos promove maior controle do lote, evitando acidentes;

• Evitar isolar um animal;

• Desligar a água antes de conduzir os animais para o chuveiro, pois a água diminui a visibilidade e irrita os olhos (cloro);

• Evitar que os animais fiquem parados em corredores de manejo por longos períodos (horário de almoço, troca de turno). Isso provoca agitação e impede o acesso à água;

• Trabalhar em sincronia com a velocidade da linha de abate evita a interrupção do fluxo de animais.

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Lembre-se

• A harmonia entre os três elos-chave (animais, pessoas e instalações) minimiza o estresse das pessoas e dos animais durante o manejo;

• Os animais devem ser desembarcados logo que chegarem ao frigorífico;

• Utilize a zona de fuga e o ponto de equilíbrio para influenciar, conduzir e controlar o movimento dos bovinos;

• A utilização de qualquer auxílio de manejo deve ser feita de forma cautelosa;

• O bastão elétrico só é tolerado como último recurso, apenas quando o animal tiver espaço para avançar, por no máximo um segundo e nos quartos traseiros acima do jarrete;

• Nunca utilize o bastão elétrico em regiões sensíveis do bovino, como genitais, focinho, olhos, entre outros.

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Fonte

WORLD ANIMAL PROTECTION. Abate humanitário de bovinos: Manejo pré-abate. p 31. São Paulo – SP: UNESP, Campus de Jaboticabal, 2015.

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Daniel Vilar
Daniel Vilar
Agrônomo e produtor de conteúdo na Agriconline