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Importância das Leguminosas Forrageiras no Sistema de Produção

Confira o artigo sobre a importância das leguminosas forrageiras no sistema de produção, escrito pela Lilian E. Techio e Valdo R. Herling.

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Introdução

Atualmente, um dos maiores desafios da agropecuária mundial é propiciar aumentos substanciais na produtividade, levando ao maior retorno dos investimentos e, consequentemente, à manutenção do homem no campo, mantendo, ao mesmo tempo, a sustentabilidade dos agrossistemas.

A preocupação com o problema social e com a preservação ambiental tem resultado na busca de tecnologias para implantação de novos sistemas de produção viáveis a curto e longo prazo, tanto em termos agronômicos como em termos sociais, econômicos e ecológicos (Deminicis, 2009).

A intensificação dos sistemas de produção pastoris é apontada como uma das alternativas de exploração sustentável, uma vez que minimiza a pressão sobre a abertura de novas áreas de produção agropecuária. Esse modelo, entretanto, deverá ser pautado pelo uso eficiente dos recursos físicos, incluindo recuperação de áreas degradadas, calcada no aporte de conhecimento e de tecnologias poupadoras de insumos (Barcellos et al., 2008).

Entre as tecnologias disponíveis, a ampliação da adoção de leguminosas, seja para pastejo direto em cultivo exclusivo, em consorciações, como cultura acompanhante na recuperação de pastagens ou para adubação verde, tem recebido destaque.

Benefícios da utilização de leguminosas

Carvalho e Pires (2008) comentaram que os principais benefícios da utilização de leguminosas são:

  • Aumento no aporte de N para o ecossistema pastagem, reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos e, consequentemente, a pressão ambiental;
  • Aumenta a oferta e forragem em algumas épocas do ano;
  • Melhora o valor nutritivo da forragem disponível para o animal que está em pastejo, favorecendo incrementos em produtividade animal;
  • Reduz a variação anual de oferta de forragem;
  • Aumenta a diversidade da pastagem, contribuindo para a sustentabilidade do ecossistema;
  • Consiste em importante ferramenta na recuperação de áreas degradadas;
  • Favorece a atividade biológica do solo em pastos consorciados, contribuindo para a velocidade de ciclagem de nutrientes e a redução de perdas pela incorporação dos resíduos, atuando para o aumento dos estoques de C.

Estratégias de utilização de leguminosas

De uma maneira geral as leguminosas tropicais são mais sensíveis que as gramíneas ao pastejo (Pereira, 2009). Em adição, quando são utilizadas em sistemas consorciados, normalmente os animais exercem maior preferência por algumas leguminosas, contribuindo para a baixa proporção destas na pastagem. Porém, tem se observado que os efeitos da desfolhação sobre a persistência das leguminosas dependem dos mecanismos de persistência da planta e do grau de seletividade exercido pelo animal. Embora algumas leguminosas persistam mesmo sob desfolhações intensas, não se deve perder de vista que meta de pastejo ideal é a que favorece a manutenção da leguminosa na pastagem, mas também possibilite ao animal colher uma dieta com qualidade e em quantidade suficiente para expressar o seu potencial produtivo.

Segundo Pereira (2009), das leguminosas tropicais em uso, pouquíssimas têm caraterísticas que conferem elevada resistência ao pastejo. Assim, é importante encontrar formas de melhorar o manejo da consorciação visando agregar persistência à leguminosa e/ou definir estratégias para outras formas de utilização das leguminosas com potencial produtivo, mas inadequadas para consorciação direta com as gramíneas disponíveis. Assim, entre as principais estratégias de uso das leguminosas estão:

a) Em sistemas consorciados, para aquelas espécies que possuem atributos que lhes conferem resistência ao pastejo e persistência na consorciação;

b) Utilização de leguminosas na recuperação de pastagens ou como adubação verde, principalmente através do sistema integrado agricultura e pastagem (ILP). Alternativas neste sentido foram apresentadas com associação de leguminosas e cultivos anuais. Esta parece ser uma prática que ganha cada vez mais adeptos, principalmente no centro-oeste, onde a agricultura e pecuária estão mais integradas e onde se concentra a maioria das pastagens degradadas do país.

c) Leguminosas sem atributos para conviver diretamente sob pastejo com gramíneas podem ser utilizadas em bancos de proteína ou legumineiras. O estilosantes Mineirão em muitos casos está sendo recomendado como banco de proteína. As leguminosas arbóreas já são, em grande parte, utilizadas desta forma, principalmente no Nordeste.

d) Utilização para produção de feno ou silagem também são opções, principalmente com estilosantes e leucena.

Sistemas consorciados

A introdução de leguminosas em pastagens de gramíneas (sistemas consorciados) tem sido sugerida como alternativa para suprir ou minimizar a deficiência de nitrogênio nesses ecossistemas, aumentando a capacidade de suporte, prolongando a produtividade e prevenindo a degradação das pastagens. Isto porque promove incrementos na produção animal, pelo aumento da qualidade e quantidade da forragem em oferta, pela diversificação do sistema, pela redução dos riscos da ocorrência de pragas e doenças, além de que promovem melhor proteção ao solo, reduzindo o risco de erosão e lixiviação dos nutrientes (Deminicis, 2009), melhoria na distribuição de forragem ao longo do ano, aumento da fertilidade do solo pela adição de nitrogênio ao sistema solo-planta-animal e diminuição da dependência de insumos externos (Cantarutti et al., 2002).

Embora as leguminosas sejam espécies extremamente importantes em qualquer sistema baseado em pastagens, a falta de persistência tem sido apontada como a maior limitação ao seu uso e práticas inadequadas de manejo constituem-se no principal determinante da falta de sucesso sob pastejo em nível de produtor (Barcellos et al., 2008; Carvalho e Pires, 2008).

Carvalho e Pires (2008) enfatizam que, para que haja sucesso na consorciação, os seguintes aspectos devem ser levados em conta:

  • Adequação da leguminosa e gramínea às condições de clima e solo da região;
  • Bom potencial de produção de sementes de ambas forrageiras;
  • Manutenção de níveis adequados de fertilidade, notadamente de micronutrientes;
  • Adequação do manejo aos hábitos de crescimento das forrageiras, com ênfase para a leguminosa;
  • Determinação de épocas oportunas de diferimento do pastejo para possibilitar o florescimento e ressemeadura natural das leguminosas forrageiras.

Assim, deve-se levar em conta que o enriquecimento das pastagens com o uso de leguminosas exige o conhecimento das espécies e cultivares que serão utilizadas como forrageiras e que são adaptadas a uma determinada região (Souto e Lucas, 1972). Segundo Carvalho & Pires (2008), a persistência da leguminosa na pastagem é função de características morfofisiológicas da forrageira, portanto, genéticas, sendo influenciada principalmente, por fatores climáticos e de manejo. As principais características morfológicas que definem a habilidade da leguminosa em persistir são:

  • Localização dos pontos de crescimento: esse atributo é um dos principais determinantes da persistência de uma leguminosa sob pastejo. A remoção dos pontos de crescimento das leguminosas tropicais é devida à sua localização ao longo das hastes, na parte aérea da planta. Espécies como o trevo-branco (temperada) e o Arachis pintoi (tropical) são capazes de manter seus pontos de crescimento nos horizontes 0 a 2 cm do solo, proporcionando baixa acessibilidade ao animal. Desmodium ovalifolium também se beneficia deste mecanismo de proteção, devido a seu hábito de crescimento.
  • Alta densidade de estolões e de raízes: os estolões crescem horizontalmente em todas as direções e, quando em quantidade significativa, permitem rápida recuperação após o pastejo. A presença de alta densidade de raízes oferece a planta maior quantidade de reservas orgânicas para recuperação após a remoção da área foliar.
  • Outro ponto importante da persistência está relacionado à aceitabilidade da planta. Plantas de aceitabilidade maior que as gramíneas tendem a desaparecer com o tempo, devido ao rápido consumo pelos animais. Por outro lado, as de menor aceitabilidade tendem a ser mais persistentes ao pastejo, aumentando a quantidade de N reciclado no sistema. Porém, é necessário que elas apresentem aceitabilidade pelos animais nos períodos adversos (seca), o que normalmente acontece devido aos maiores teores de proteína. Desta forma, ao definir-se o manejo das pastagens, bem como o tipo de gramínea, tais características de aceitabilidade da leguminosa devem ser consideradas.

Leguminosas na recuperação de pastagens

A recuperação de áreas degradadas pode ser realizada com sucesso a partir da utilização de espécies de leguminosas arbóreas capazes de formar simbiose com bactérias fixadoras de nitrogênio atmosférico e com fungos micorrízicos, e também com leguminosas herbáceas (Nogueira et al., 2012). Esta técnica pode ser considerada de baixo custo e com bons resultados.

A acácia (Acacia auriculiformis A. Cunn ex Benth) e o sabiá (Mimosa caesalpiniifolia Benth) são exemplos de leguminosas arbóreas utilizadas para recuperação de área degradadas. O guandu implantado em faixas em pastagem degradada de Brachiaria decumbens tem demonstrado atuar positivamente sobre a descompactação do solo, devido ao vigoroso sistema radicular.

Leguminosas para adubação verde

Em sistemas baseados na exploração de milho e soja durante o verão, algumas leguminosas têm sido utilizadas como adubação verde durante o período de inverno. Essa técnica tem como finalidade principal a cobertura do solo, além da preservação e restauração da produtividade das áreas em cultivo e do ambiente, com aproveitamento mais adequado do solo, das máquinas e insumos (Mateus e Wutke, 2006).

Utilizando-se a adubação verde, o material orgânico produzido, geralmente com elevados teores de macro e micronutrientes, proporciona o aumento da capacidade de troca catiônica, da infiltração e da retenção de água no solo, tornando-se mais favoráveis as condições para o desenvolvimento microbiano no solo. Além desses efeitos, algumas plantas utilizadas como adubo verde são alelopáticas a algumas espécies de nematoides e plantas daninhas (ou infestantes). A principal vantagem da utilização de espécies leguminosas na adubação verde refere-se à possibilidade de redução da quantidade de nitrogênio aplicado na adubação química, pois essas plantas têm a capacidade de fixar o nitrogênio atmosférico, por meio de simbiose com bactérias do gênero Rhizobium/Bradyrhyzobium nas raízes.

Bancos de proteína e legumineiras

Nos sistemas intensivos de produção tem-se sugerido que as leguminosas sejam cultivadas em áreas separadas das gramíneas. Quando a leguminosa é utilizada para pastejo, recebe o nome de “Banco de Proteínas”. Se utilizada para corte e fornecimento verde no cocho, recebe a denominação de “Legumineira”.

Normalmente, tanto no Banco de Proteínas quanto na Legumineira, a área cultivada é de 20 a 30% em relação à área total da pastagem com gramínea tropical. Quando a área da pastagem é usada para Banco de Proteínas, a área cultivada é dividida em piquetes e o pastejo com os animais tem duração média de 2 horas/dia (Camarão e Azevedo, 2005).

A leguminosa deve ser adaptada às condições edafoclimáticas locais, tolerante à seca, ter elevado teor proteico, produzir forragem satisfatoriamente, ter boa recuperação pós-pastejo e, principalmente, ser bem consumida, de forma a complementar as deficiências dos animais mantidos em pastagem tradicionais.

Fenação e ensilagem de leguminosas

A silagem de leguminosas pode ser associada ao balanceamento da dieta de animais, quando fornecido um volumoso pobre em proteína bruta (PB), como é o caso da cana-de-açúcar e de pastagens diferidas durante o período seco do ano. Contudo, o elevado teor de proteína propicia uma fermentação não desejável na ensilagem, realizada por clostrídeos, o que resulta em altas concentrações de N-amoniacal e ácido butírico que elevam o pH da silagem. O uso de aditivos a base de inoculantes microbianos são considerados benéficos por produzirem ácidos que diminuem o pH. Além disso, a realização do pré-murchamento (uma a oito horas ao sol), sendo em seguida picada e compactada no silo e misturando aditivos ricos em carboidratos, podem favorecer uma melhor fermentação das silagens de leguminosas.

A fenação de leguminosas apresenta certas desvantagens. Isto se deve muito as grandes perdas que ocorrem durante o período de desidratação da forragem, principalmente em condições climáticas adversas, onde o revolvimento da leira é necessário, para acelerar a taxa de desidratação. Nas leguminosas, o revolvimento das leiras pode provocar perdas mecânicas acentuadas, reduzindo tanto a produção quanto à qualidade. A confecção de feno de leguminosas é mais difícil que a de gramíneas, devido diferença de velocidade na desidratação entre caules e as folhas, ou seja, quando os talos estiverem secos, as folhas, que são a parte mais nutritiva, já estarão quebradiças, causando grande quantidade de perdas se não dar a devida atenção durante o processo de desidratação.

Outra dificuldade é que as leguminosas não suportam muitos cortes ao ano, o rebrote é mais lento e geralmente são de difícil mecanização. Entre as leguminosas mais utilizadas para fenação estão a leucena, o guandu, cunhã, siratro, centrosema, estilosantes, soja perene – espécies tropicais – e alfafa, cornichão, ervilhaca, trevo-branco, trevo-vermelho – espécies temperadas.

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Fonte

HERLING, Valdo R.; TECHIO, Lilian E. Leguminosas Forrageiras de Clima Tropical e Temperado. 1 ed. Pirassununga – SP: USP, 2016.

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Murilo Salvador
Murilo Salvador
Técnico Agrícola com Habilitação em Agropecuária (IFES); Licenciado em Ciências Agrícolas (IFES) e Bacharelando em Medicina Veterinária (UNESC).