Purebred horses eating fresh hay between the bars of an old wooden fence
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Manejo Alimentar de Éguas e Garanhões

Confira o artigo sobre o manejo alimentar de éguas e garanhões, escrito por Antônio Emídio Dias Feliciano Silva, et all.

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A alimentação é fundamental para a criação, seja na forma de pastagem de boa qualidade, fenos, ou rações concentradas. O fornecimento de alimentos de forma inadequada, além de prejudicar o desenvolvimento, em função da má formação óssea, aprumos deficientes por excesso de peso e mesmo cólicas, traz consequências à reprodução.

Os equinos não podem ser gordos nem muito magros, portanto, quando for necessário fornecer ração concentrada, quer comprada ou preparada na propriedade, observar que contenha nutrientes (proteína e energia), vitaminas e minerais de qualidade e forma balanceada.

É importante ressaltar que a alimentação dos equinos deve ser de acordo com as características fisiológicas destes animais. O equino possui um estomago relativamente pequeno, sendo que o excesso de alimentos pode causar sua distensão, aparecimento de cólicas ou dores abdominais, fermentação, e transtornos como diarreias, eczemas, e até congestão podaI.

Quando são utilizados alimentos à base de grãos, a quantidade diária deve ser dividida e fornecida em, no mínimo, duas vezes ao dia, para que os grãos possam ser digeridos. As necessidades energéticas dos equinos variam de acordo com o tamanho, o tipo de atividade, a reprodução, lactação e velocidade de crescimento.

É altamente recomendável que os equinos consumam quantidades suficientes de forragem para minimizar as disfunções digestivas, frequentemente atribuídas à alimentação com grande quantidade de concentrados. Aconselha-se alimentar os equinos com um teor de matéria seca de forragem de pelo menos 1 % do seu peso vivo/dia.

O excesso de fibra na dieta é mal tolerado, podendo provocar distúrbios digestivos, tais como obstrução de intestino grosso e cólicas. Um quadro clínico semelhante pode ser presenciado quando a quantidade de fibra na dieta for insuficiente, isto é, estase do intestino grosso e consequentemente cólicas. O nível recomendado de fibra é de 13% a 16% da dieta.

A digestão da fibra contida nos alimentos ocorre no intestino grosso, constituído do ceco e cólon, que contêm grandes quantidades de microrganismos, bactérias e protozoários.

A flora intestinal é muito susceptível às mudanças alimentares. Estas mudanças nunca devem ocorrer de maneira brusca, para permitir aos microrganismos se adaptarem. A falta de adaptação leva, normalmente, à produção excessiva de gás, diarreias e mesmo cólicas. Ao mudar a dieta, aconselha-se proceder de maneira gradativa na sua substituição, com um período de adaptação de no mínimo cinco dias, sendo o ideal dez dias.

Como nos equinos a maior parte da digestão e absorção dos nutrientes ocorre no intestino delgado, é necessário um controle parasitário periódico, pois a presença de parasitas reduz a utilização dos nutrientes.

Alimentação no pasto

A pastagem adotada na criação de equinos deve ser de tal forma adequada e suficiente, ao ponto de favorecer desenvolvimento satisfatório. Existem alguns critérios que devem ser levados em consideração para a escolha da pastagem: a espécie forrageira, seletividade e presença de oxalato.

Os equinos têm hábito de pastejo constante, o que proporciona ingestão de pequenas quantidades de forragens por vez. Preferem forragens de altura mediana, e as gramíneas forrageiras mais preferidas são as estoloníferas ou rastejantes como Kikuiu (Pennisetum clandestinun), Coast-cross (Cynodon dactylon) e Pangola (Digitaria decumbens).

Os equinos são bastante seletivos e susceptíveis a grandes quantidades de oxalato e nitrato nas pastagens. Muitas pastagens utilizadas para equinos, na maioria das vezes as mesmas dos bovinos, contêm oxalato, que, principalmente durante a prenhez, lactação e em animais pós-desmama pode levar a um desequilíbrio no metabolismo do cálcio, em virtude da má absorção deste elemento. Isto conduz a osteodistrofias fibrosas, das quais a mais conhecida é aquela localizada na face, a “cara inchada”. As forrageiras, que apresentam níveis de oxalato superiores a 0,5% na matéria seca e a relação cálcio/oxalato inferior a 0,5, podem ser consideradas como impróprias para equinos por causa dos distúrbios metabólicos que possam causar. Os cavalos mantidos em pastagens contendo várias espécies forrageiras (pastagem nativa constituída tanto de gramíneas como leguminosas) raramente apresentam estes problemas.

Um outro aspecto é a frequente prática de adubação das pastagens para alimentação de equinos. Neste caso, alguns cuidados devem ser tomados levando-se em consideração que os fertilizantes inorgânicos na sua maioria contêm nitratos, sais de amônia, potássio e fosfatos que ingeridos podem causar envenenamento. Assim sendo, não é aconselhável usar pastagens recém-adubadas. A sua utilização deve ocorrer após as primeiras chuvas, que solubilizar o os fertilizantes.

Entre outros problemas que poderão surgir referentes à pastagem são os que ocorrem com equinos mantidos em Brachiaria humidicola, gramínea forrageira bastante utilizada nas áreas de cerrado, que podem apresentar fotossensibilização hepatógena, caracterizada por emagrecimento progressivo, queda de pelo, ressecamento da pele, escaras, orelhas quebradas e lacrimejamento.

As forrageiras consideradas impróprias para equinos em razão do alto teor de oxalato e de efeito tóxico estão apresentadas na Tabela 22.

Além dessas forrageiras (Tabela 22), podem ser incluídos entre as que contêm altos teores de oxalato a Setaria (Setaria anceps), com 3% a 5% e os capins Kikuyu e pangola, com 1%.

A palatabilidade das forragens varia com a maturidade da planta. Normalmente, os cavalos selecionam gramíneas com sementes, comendo as pontas. Esse alimento acaba constituindo uma ” mini-ração” rica em fósforo, dada a sua presença nos grãos.

Entre as forrageiras tropicais mais apropriadas para os cavalos citam-se: o Coast-cross (Cynodon dactylon), o Ramirez (Paspalum guenoarum), e o Rhodes (Chloris gayana). Essas forrageiras são bem consumidas e apresentam alto valor nutritivo.

A Tabela 23 apresenta a composição química de Coast-cross. A gramínea forrageira mais indicada para os equinos em razão de seu valor nutritivo e baixo teor de oxalato.

Nos equinos, é conhecida a necessidade energética que está relacionada ao estádio fisiológico em que o animal se encontra e varia muito de animal para animal. Muitas vezes gramíneas forrageiras de boa qualidade, como Coast-cross, conseguem suprir as necessidades energéticas mesmo de éguas prenhes (Figura 26).

O resultado de uma alimentação adequada pode ser avaliado por meio de escore e peso corporal conforme apresentado na Tabela 24 e Figura 27. Estes dados foram obtidos com éguas prenhes mantidas exclusivamente na pastagem de Coast-cross desde o início até o final da prenhez, mostrando ser possível criar éguas puro-Sangue nestas condições, mesmo durante as fases fisiológicas de maior exigência nutricional.

Alimentação de garanhões

A dieta de garanhões em serviço (em cobertura ou coleta de sêmen) mantidos na cocheira ou em piquetes deve conter aproximadamente 10% de proteína bruta. o requerimento proteico está diretamente ligado à raça e ao peso do garanhão, e à qualidade e digestibilidade da proteína disponível. A atividade reprodutiva não requer aumento dos nutrientes, exceto de energia. O aumento da necessidade de energia nesta fase ocorre por conta das atividades físicas que acompanham a época da monta.

Conforme a qualidade do alimento volumoso é possível diminuir a quantidade de ração concentrada necessária para suprir as exigências nutricionais. O garanhão necessita de 1,5 a 2 kg de feno de boa qualidade por 100 kg de peso vivo, diariamente. A ração concentrada (Tabela 25) para complementação da dieta pode variar de 1 a 3 kg/animal/dia, podendo ser dividida em duas vezes/dia. Ainda deve ser fornecido sal mineralizado, na quantidade de 60 a 100 g/dia, durante o ano todo.

Éguas vazias

As éguas vazias podem permanecer na pastagem desde que haja forragem disponível e de qualidade. Podem permanecer em pastagem de Coast-cross, recebendo sal mineralizado à vontade (Figuras 28 e 29).

Conforme o estado do animal e dependendo da disponibilidade de pastagem no período seco, as éguas deverão ser suplementadas com feno ou ração concentrada, para que suas exigências proteico-energéticas e atividade ovariana sejam mantidas. Assim, as éguas entrarão na estação de monta em boas condições físicas, alcançando bons índices reprodutivos. A ração utilizada pode ser a mesma descrita na Tabela 25.

Éguas prenhes

As éguas prenhes permanecem em pastagem de Coast-cross. A pastagem, sendo de boa qualidade, deverá fornecer quantidade suficiente de nutrientes para o desenvolvimento da prenhez e lactação (Figuras 26 e 30).

Durante a prenhez e lactação, as éguas necessitam de dieta contendo de 11 % a 12,5 % de proteína. A quantidade de energia requerida durante a lactação depende da quantidade de leite produzida. No pasto também é oferecido sal mineralizado à vontade. No período da lactação o sal mineral deve conter um teor mais elevado de cálcio e fósforo, pois as necessidades aumentam:

Durante a prenhez, é comum superalimentar as éguas, o que causa dificuldades no parto em virtude da diminuição do tônus muscular por falta de atividade física, que pode levar ao retardamento na expulsão do feto e da placenta. Por sua vez, a deficiência ou falhas alimentares dificultam a concepção assim como comprometem o crescimento do feto, prejudicando o seu desenvolvimento pós-parto tanto em função da fraqueza ao nascimento como da baixa produção de leite materno.

No caso de pastagens secas ou impróprias para equinos, e dependendo das condições físicas das fêmeas, deve-se fornecer de 0,5 a 0,75 kg de ração concentrada/100 kg de peso vivo/dia. Cabe lembrar que esta suplementação é de maior importância no início da lactação, que coincide com o primeiro terço da gestação e nos últimos três meses de gestação. A ração concentrada (Tabela 26) deve ser constituída de alimentos de boa qualidade e, quando oferecida a animais não habituados a este tipo de arraçoamento, deve ser fornecida de forma gradativa e dividida em duas vezes/dia, para evitar problemas como cólicas e mesmo outros distúrbios metabólicos. No terço final da gestação, como ocorre crescimento fetal, a massa uterina ocupa a maior parte da cavidade abdominal da égua, dificultando a ingestão de alimentos necessários para atender seus requerimentos nutricionais. Portanto, já que a quantidade dos alimentos ingeridos nesta fase é menor, estes devem ser de boa qualidade, para atenderem as necessidades nutricionais.

Fontes alternativas de energia na alimentação

Normalmente, as fontes de energia na alimentação de equinos são constituídas pelos grãos de cereais, como o milho e a aveia. Como opção energética, no entanto, podem ser utilizados também os óleos vegetais e a gordura animal (sebo), pois possuem 2,25 vezes mais energia do que os carboidratos. O uso destes produtos aumenta a densidade energética das rações e ocasiona maior ingestão de energia, além de trazer outros benefícios à alimentação, tais como: aumento da palatabilidade das raçoes, maior fornecimento de ácidos graxos voláteis, ser veículo das vitaminas lipossolúveis, e diminuição da poeira das rações, um fator multo importante na criação de equinos.

A utilização dessas fontes de energia pode ser vantajosa, principalmente para raças de lida, de corrida e de provas de enduro, onde a demanda de suplementos energéticos é maior.

As potras puro-sangue Árabe, em crescimento, e alimentadas com rações completas contendo 7,5% de óleo de soja ou 5,0% de gordura animal (Tabela 27), apresentaram ganho de peso, aumento da altura da cernelha e do perímetro torácico semelhantes àqueles obtidos com as dietas tradicionais. O consumo se manteve adequado sendo de aproximadamente 7,5 kg de matéria seca/animal/dia. Esta dieta era composta por 50% de feno de Coast-cross e 50% de ração concentrada.

Os coeficientes de digestibilidade da matéria seca e dos nutrientes das rações, bem como os parâmetros sanguíneos de concentração da glicose e dos triglicérides, também não mostraram diferença significativa quando comparados aos obtidos em animais alimentados com rações não contendo óleo ou gordura. Mesmo os teores de colesterol, que aumentaram nos animais recebendo óleo ou gordura na dieta, não ultrapassaram os limites considerados normais. A normalidade dos parâmetros de avaliação dessa alimentação mostra não existirem desvantagens no uso de óleo de soja ou gordura animai como fonte de energia.

Sal mineralizado

Os minerais são de especial interesse na alimentação, pois os equinos devem possuir uma constituição óssea perfeita e bem desenvolvida. O cálcio e o fósforo condicionam o bom desenvolvimento e a robustez do esqueleto, o sal (cloreto de sódio) torna-se importante no processo de sudorese, presente durante a atividade dia ria, e os microminerais (cobre, zinco, manganês) contribuem para o funcionamento do organismo, influenciando principalmente os processos reprodutivos. O quadro a seguir mostra o efeito da deficiência ou do excesso de alguns minerais.

Nos minerais são fornecidos sob forma de misturas (sal mineralizado) calculadas de acordo com as necessidades próprias para cada categoria animai e mesmo da região geográfica.

As necessidades minerais aumentam durante a gestação e a lactação. No início da gestação, cresce a necessidade de fósforo, e, no seu final, de cálcio, fósforo, potássio e cobre. O aumento da necessidade destes minerais ocorre por coincidir a fase inicial da gestação (formação do feto) com a lactação, e na fase final com o crescimento do feto, portanto, a necessidade de cálcio de uma égua nestas condições é de 57 g/dia no início e de 32 g/dia no final. O fósforo a ser consumido nestas fases é de 29 g/dia e 20 g/dia, respectivamente. Ainda, se considerarmos as pastagens impróprias para a espécie equina como a Brachiaria, Setaria, Buffel, e Colonião, em razão dos altos teores de oxalato, o sal mineralizado deve conter elevadas quantidades de cálcio. Neste caso a fonte de cálcio (fosfato bicálcico, farinha de osso) poderá entrar na mistura mineral em até 60%.

O sal (cloreto de sódio), cuja participação na composição também é alta, deverá representar cerca de 30%, o restante podendo ser complementado por fontes de microminerais e vitaminas. A quantidade de sal utilizada na mistura também pode variar em função da alimentação, por exemplo, animais que consomem melaço. Neste caso, o sal pode ser utilizado em até 40% da mistura.

O consumo do sal mineralizado varia em função da época do ano sendo maior na estação das chuvas (101,56 g/cabeça/dia) e menor na seca (71,50 g/cabeça/dia).

O sal mineralizado pode ser fornecido à vontade, em saleiros cobertos colocados na pastagem ou com a ração na proporção de 5% da mesma. O sal mineralizado pode ser formulado em função das pastagens utilizadas na criação. As formulações apresentadas a seguir representam misturas para equinos mantidos em pastos com altos (Formulação A) e baixos teores de oxalato (Formulação B), como por exemplo a pastagem de coast-cross:

Por sua vez, há uma maneira simples e prática para o fornecimento de cálcio e sal obedecendo à seguinte regra:

Vitaminas

Existem duas categorias de vitaminas: as lipossolúveis (vitaminas A, D, E e K), de comprovada importância nos equinos, e as hidrossolúveis (vitaminas B e C), cuja utilização constitui, todavia, motivo de estudo.

Das vitaminas lipossolúveis, a vitamina A nos equinos tem sido associada a inúmeras funções orgânicas. Costuma ser escassa nos alimentos, estando a sua presença na dependência da quantidade de seu precursor, o β-caroteno.

O β -caroteno é encontrado nas forragens verdes, e sua concentração diminui com a maturação e estocagem. A forragem de boa qualidade deve suprir as exigências de vitamina A. No entanto, quando os animais são mantidos com fenos, rações concentradas ou mesmo pastagens de má qualidade, a vitamina A deve ser acrescida à dieta.

No último terço da prenhez e lactação, assim como nos animais jovens, a vitamina A é particularmente muito importante (crescimento do feto e concepção).

A vitamina A é armazenada no fígado, e as reservas existentes são suficientes para suprir as necessidades orgânicas durante três a seis meses. O equino bem alimentado não deverá perder ou diminuir estas reservas.

Quanto às demais vitaminas lipossolúveis, a maioria faz parte da alimentação em quantidades suficientes para suprir as necessidades dos equinos.

A vitamina D (D2) é encontrada em alimentos secos ao sol. Além da fonte alimentar, a exposição diária aos raios solares proporciona a conversão da vitamina D3 na pele, a partir do 7-dehidrocolesterol. A aplicação da vitamina D só se faz necessária em cavalos de estabulação permanente.

A vitamina E é encontrada nos grãos, e sua atuação está ligada ao selênio, com o qual exerce sua principal função orgânica, a eliminação de peróxidos.

A vitamina K (K1) encontra-se em abundância em forragens verdes. Além da forma K2, existente no fígado, baço e rins, há a produção de vitaminas por bactérias do trato Intestinal e ceco. Por isso, deficiências desta vitamina são difíceis de ocorrer.

No que diz respeito às vitaminas hidrossolúveis, em condições alimentares normais, é pouco provável que seja necessária à sua adição à dieta, mesmo porque tanto a vitamina B como a C são sintetizadas no intestino, ceco e fígado. A indicação de acréscimo de vitamina B à dieta só se faz necessária em equinos idosos, o mesmo sendo válido para a vitamina C.

O quadro a seguir mostra o efeito das vitaminas quando deficientes ou em excesso:

A administração de quantidades desnecessárias de vitamina não tem efeito benéfico, podendo ser prejudicial.

Manejo sanitário na criação de equinos

O manejo sanitário preventivo é mais eficiente e econômico quando respeitadas as recomendações descritas no quadro abaixo:

FAÇA A SUA ASSINATURA

Ou clique no link:

https://go.agriconline.com.br/pass/?sck=portal

Fonte

SILVA, Antonio Emídio Dias Feliciano; UNANIAN, Maria Marina; ESTEVES, Sérgio Novita. Criação de Equinos: Manejo Reprodutivo e da Alimentação. 1ª ed. Brasília – DF: Embrapa, 1998.

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Murilo Salvador
Murilo Salvador
Técnico Agrícola com Habilitação em Agropecuária (IFES); Licenciado em Ciências Agrícolas (IFES) e Bacharelando em Medicina Veterinária (UNESC).