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Proteção e Controle de Pragas na Cultura da Cana-de-açúcar

Confira o artigo sobre a proteção e controle de pragas na cultura da cana-de-açúcar, escrito por Mauro Alexandre Xavier, et all.

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O uso de mudas sadias, livres de pragas e doenças, é de fundamental importância para o estabelecimento de qualquer cultura. Em cana-de-açúcar esse aspecto deve ser cuidadosamente considerado, porque a cultura permanece em campo por cinco ou mais anos após o plantio.

As pragas têm grande importância econômica, por reduzirem a produtividade das lavouras e, consequentemente, por aumentarem os custos de produção do produtor. Um aspecto muitas vezes pouco considerado, mas de suma importância, é o efeito que certas pragas têm sobre o material utilizado como muda. Algumas pragas, ao atacarem o canavial, reduzem a qualidade dos colmos, prejudicando a brotação das gemas, com isso, aumentam as falhas de plantio e para compensar tal fato, o produtor aumenta a quantidade de mudas colocadas nos sulcos, elevando o consumo e aumentando o custo de plantio.

Isso é muito comum, principalmente em canaviais atacados pela broca-da-cana, Diatraea saccharalis, pelas cigarrinhas-das-raízes, Mahanarva spp., ou por cupins (DINARDO-MIRANDA, 2018). A broca comum e os cupins podem destruir as gemas, além de reduzirem as reservas nos toletes (Figuras 12 e 13). Da mesma forma, colmos atacados por cigarrinha-das-raízes ficam desidratados, pobres em açúcar (portanto, com menos reservas), o que também prejudica a brotação das gemas. Em razão disso, é importante proceder a rigoroso controle de pragas em viveiros, a fim de que a qualidade da muda não fique prejudicada.

Outra preocupação em relação à qualidade da muda se concentra no besouro Sphenophorus levis. Até meados da década de 1980, essa praga estava restrita à região de Piracicaba, mas atualmente é encontrada em todo Centro-Sul do Brasil, para onde foi levada por meio de mudas retiradas de local infestado, já que o inseto voa muito pouco (DINARDO-MIRANDA, 2018).

Embora esta espécie não afete diretamente a brotação das gemas, mudas isentas da praga são fundamentais para evitar a disseminação do inseto e, em razão disso, a condução de mudas com boas condições sanitárias é uma excelente ferramenta para evitar a entrada do inseto em novas áreas.

Dessa forma, o uso de mudas sadias tem efeito direto na produtividade da lavoura e no custo de sua implantação, pois um viveiro bem conduzido, com mudas sadias, fornece maior quantidade de mudas por hectare (maior produtividade) e mudas de melhor qualidade (com melhor brotação, isentas de S. levis).

Nos anos recentes, cresceu a adoção de MEIOSI (Método Interrotacional Ocorrendo Simultaneamente) em áreas de reforma ou expansão. Essa técnica consiste no plantio de linhas de cana-de-açúcar, geralmente entre agosto e outubro, após a destruição da soqueira velha, na proporção de 1 linha plantada (linha-mãe) para cada 8, 10, 12 ou até 1 linhas, que serão plantadas entre fevereiro a abril do ano seguinte, numa operação conhecida como desdobra, quando são utilizados como muda para plantio os colmos obtidos na linha-mãe.

Na área representada por 8 a 14 sulcos, chamada de “pista”, geralmente é conduzida uma cultura intercalar, principalmente soja e amendoim, que fornecerá uma renda extra ao produtor, ou mesmo crotalárias, que promoverão uma série de melhorias no solo.

Outro método cuja adoção tem crescido é a cantosi, quando o plantio do material a ser utilizado como muda é feito somente em uma parte (canto) do talhão.

Tanto na MEIOSI como na cantosi, as linhas-mães são “viveiros” que fornecerão muda para o plantio da área (pista) e devem ser conduzidas adotando-se uma série de cuidados sanitários, que resultem em alta produtividade e boa sanidade (qualidade). Vale ressaltar que, nesse caso, o controle de pragas deverá ser mais rigoroso do que o adotado em áreas comerciais.

Os cuidados devem começar no preparo da área para implantação da MEIOSI e cantosi: é importante proceder à destruição mecânica da soqueira velha, logo após a última colheita, preferencialmente na época seca do ano. Essa operação visa eliminar eventuais formas biológicas de pragas de solo, tais como cupins, pão-de-galinha e Hyponeuma taltula (broca-peluda).

Embora a destruição mecânica da soqueira seja indicada também para áreas de ocorrência de Migdolus fryanus e de S. levis, no plantio de áreas infestadas por essas pragas é necessário sempre associar a destruição de soqueira a outras medidas de controle (como por exemplo, aplicação de inseticida em profundidade, no caso de M. fryanus e vazio sanitário longo, no caso de S. levis). Por essa razão, não é recomendável implantar MEIOSI em áreas infestadas por elas. Caso não seja possível evitar implantar viveiros (material usado como muda) nessas áreas, seria melhor optar pela cantosi, pois dessa forma poder-se-ia adotar as demais medidas de controle no restante da área.

Além da destruição mecânica da soqueira, feita na época seca do ano, as linhas-mães devem receber inseticidas de solo no sulco de plantio, pois a destruição mecânica de soqueira reduz as populações das pragas de solo, mas não as elimina totalmente. Um dos produtos indicados é o Fipronil.

Se a área for sujeita a altas populações de broca comum é interessante aplicar Clorantraniliprole no sulco de plantio, pois esse inseticida é sistêmico e reduz as populações de broca por vários meses após plantio, principalmente se não faltar água no solo. Essa operação é especialmente indicada na MEIOSI, pois as linhas-mães de cana são intercaladas com outras culturas, o que dificulta as aplicações foliares de inseticidas. Essa distribuição peculiar das linhas-mães no campo também torna o ambiente menos favorável às vespinhas, Cotesia flavipes, prejudicando sua sobrevivência na área e diminuindo a eficiência do controle biológico.

Na época chuvosa do ano, a alta umidade no solo também será propícia ao desenvolvimento das cigarrinhas-das-raízes. É preciso atenção quanto a essa praga e, se necessário, o controle deverá ser feito com inseticidas químicos ou biológicos (fungo Metarhizium anisopliae). A opção pelo fungo, entretanto, só deverá ser feita se o produtor estiver habituado a utilizar esse produto e se o seu desempenho nas áreas comerciais for satisfatório, caso contrário, ele deverá dar preferência para os inseticidas químicos, tais como os neonicotinoides (tiametoxam e imidaclopride) e fenilpirazois (etiprole).

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Ou clique no link:

https://go.agriconline.com.br/pass/?sck=portal

Fonte

XAVIER, Mauro Alexandre; LANDELL, Marcos Guimarães de Andrade; PIRES, Regina Célia de Matos; et al. Gemas brotadas de cana-de-açúcar: produção sustentável e utilização experimental na formação de áreas de multiplicação. Campinas – SP: Instituto Agronômico, 2020.

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Murilo Salvador
Murilo Salvador
Técnico Agrícola com Habilitação em Agropecuária (IFES); Licenciado em Ciências Agrícolas (IFES) e Bacharelando em Medicina Veterinária (UNESC).