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Sintomas de Deficiências e Particularidades dos Nutrientes na Cultura do Tomate

Confira o artigo sobre os sintomas de deficiências e particularidades dos nutrientes na cultura do tomate, escrito por Luiz Carlos Prezotti.

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Nitrogênio

Por ser facilmente perdido por lixiviação ou volatilização, o nitrogênio é um dos elementos que mais frequentemente apresentam sintomas de deficiência nas lavouras.

Por ter grande mobilidade na planta, quando o N é fornecido em quantidades inferiores à demanda da planta, ocorre uma translocação de N das folhas mais velhas para as folhas mais novas. Por esta razão, os sintomas surgem primeiramente na parte inferior das plantas, inicialmente apresentando folhas de coloração verde-pálida, progredindo para uma clorose (amarelecimento) generalizada em todo o limbo foliar.

Tão prejudicial quanto à deficiência é o excesso de N. Aplicações acima da exigência da cultura promovem o estiolamento das plantas, maior suscetibilidade ao ataque de pragas e maior índice de frutos com podridão apical, frutos ocos e frutos com “ombro-verde”.

Quanto ao tipo de fertilizante nitrogenado a ser utilizado, se amídico (ureia), nítrico (nitratos) ou amoniacais, não se têm observado diferenças marcantes quanto à produtividade ou à qualidade de frutos. Qualquer uma destas formas, quando aplicada ao solo, sofrem transformações, sendo que a predominância de uma determinada forma de N depende de fatores, entre outros, do pH e de microrganismos do solo.

Em solos com acidez corrigida pela aplicação de calcário, independente da forma do adubo nitrogenado utilizado, há predominância da forma nítrica (NO3), ao passo que, em solos ácidos, a forma de N predominante é a amoniacal (NH4+). O tomateiro absorve N tanto na forma NO3 quanto na forma NH4+.

O íon NH4+, por possuir carga positiva, é adsorvido (retido) pelas cargas negativas das argilas do solo, o que reduz as perdas por lixiviação. Já o íon NO3, por possuir carga negativa, não é adsorvido pelas argilas, sendo facilmente lixiviado para horizontes mais profundos do solo, podendo atingir o lençol freático.

Em culturas perenes, a maior preocupação após a adubação nitrogenada são as perdas de N causadas por volatilização de NH3. No cultivo de hortaliças, devido às elevadas doses de nutrientes e à maior frequência de irrigação, a maior preocupação é com a lixiviação do NO3. Recentemente, este fato tem assumido grande importância, pois está relacionado com a poluição de mananciais de águas, onde parte do nitrato é reduzida a nitrito (NO2), que, quando na corrente sanguínea, reage com a hemoglobina, reduzindo sua capacidade de carregar oxigênio (metahemoglobinemia). Outro problema é a eutrofização (enriquecimento em nutrientes) das águas, aumentando a produção de algas que consomem o oxigênio dissolvido, ocasionando a morte da flora e fauna dos cursos d’água. Estes problemas são amenizados com o maior parcelamento da dose recomendada de N e com o cálculo correto das lâminas de irrigação.

Fósforo

Na cultura do tomateiro, não são comuns sintomas de deficiência de fósforo (P). Somente em casos de deficiência aguda é que as plantas apresentam sintomas. As folhas apresentam coloração arroxeada do lado inferior, na região das nervuras. Há redução da floração e frutificação.

Apesar de ser absorvido em menor quantidade, o P proporciona acentuado aumento de produtividade quando aplicado na dose exigida pela cultura.

Há uma grande diferença entre a quantidade de P absorvida pela planta e a quantidade a ser aplicada ao solo para atender à demanda da planta. Isto se deve à forte adsorção de P pelas argilas do solo, formando compostos de baixa solubilidade, ficando, portanto, indisponíveis às plantas. Este fenômeno é tanto mais intenso quanto maior for a quantidade e atividade das argilas do solo a ser cultivado.

Solos argilosos apresentam maior capacidade de adsorção (retenção) de P, o que dificulta a absorção pelas plantas. Assim, para atender à demanda da planta, é necessário elevar as doses a serem aplicadas. Em solos arenosos, devido ao menor teor de argila, há menor retenção deste nutriente, o que facilita a absorção pelas plantas. Neste caso, as doses a serem aplicadas podem ser menores.

Para determinar a capacidade dos solos em adsorver P, já estão sendo implementados métodos de rotina nos laboratórios de análises de solo, como o fósforo remanescente (P-rem).

Para reduzir o problema da adsorção de P e consequentemente aumentar a absorção pelas plantas, recomenda-se a aplicação de adubos fosfatados de maneira localizada, em covas ou sulco, e na forma granulada, reduzindo, assim, o contato P-argila.

Potássio

Mesmo sendo muito demandado pelo tomateiro, não são frequentes os sintomas de deficiência de K+ nas lavouras de regiões produtoras. Em solos com baixos teores de potássio (K+), os sintomas surgem primeiramente nas folhas mais velhas como uma clorose entre as nervuras, que progride para a morte dos tecidos das pontas e margens dos folíolos (queima das bordas).

O fornecimento adequado de K+ ao tomateiro, além de aumentar a produção de frutos, melhora sua qualidade quanto à coloração vermelha, que se torna mais intensa e sem a presença de espaços vazios. Há também menor queda de frutos.

O K+, quando aplicado ao solo, é adsorvido às cargas negativas das argilas, o que reduz seu movimento descendente no perfil do solo. Perdas de K+ por lixiviação podem ocorrer em solos arenosos com baixo teor de matéria orgânica. Por esta razão e devido ao seu efeito salino, recomenda-se seu parcelamento, aplicando-se parte juntamente com o P, por ocasião do plantio, e o restante, em cobertura, juntamente com o N.

Cálcio

Os sintomas de deficiência de cálcio (Ca) são muito frequentes em lavouras de tomate. O Ca é um elemento imóvel no floema, não sendo redistribuído na planta. Os seus sintomas de deficiência surgem primeiramente como uma mancha preta no ápice do fruto. Daí a denominação de “podridão apical”, “podridão-estilar” ou “fundo preto”. Em casos de deficiência severa, pode ocorrer necrose das pontas e margens dos folíolos, e as faces inferiores das folhas assumem coloração arroxeadas.

As maiores incidências ocorrem em lavouras com calagem realizadas pouco antes do plantio, o que dificulta a liberação de Ca2+ e Mg2+ em tempo hábil para atender às necessidades nutricionais das plantas. Excesso de adubação potássica localizada, adição de elevadas doses de N amoniacal e déficit hídrico são fatores que contribuem para a ocorrência da deficiência de Ca nas plantas.

A extração de Ca2+ pelos frutos é extremamente pequena, variando de 10 a 20% do total de Ca2+ absorvido pela planta, para um acúmulo de 75% de peso de fruto em relação ao resto da planta. Esta é a razão das frequentes deficiências de Ca2+ em frutos (“fundo preto”). A principal causa do menor teor de Ca2+ nos frutos é a falta de transpiração, devido à impermeabilidade da película, fazendo com que o fluxo da corrente transpiratória em direção aos frutos seja praticamente nulo. A outra via de fluxo de nutrientes das folhas para os frutos é o floema, que não é uma via eficiente para o seu suprimento. A riqueza dos frutos em K+ é outro fator que contribui para a deficiência de Ca2+. Aproximadamente 70% do K+ absorvido pelo tomateiro é carreado para os frutos (TAKAHASHI, 1993).

Os frutos absorvem boa parte do Ca2+ fornecido via pulverização, mas essa absorção diminui com a idade do fruto, a contar da antese (abertura das flores). Segundo Barke (1968), apud Alvarenga (2004), a maior absorção de Ca2+ ocorre entre 9 e 15 dias depois da antese, quando as aplicações com cloreto de cálcio aumentaram em 30% o teor de Ca2+ no pericarpo, onde pode ocorrer a podridão apical. Assim, como medida preventiva, as pulverizações devem ser dirigidas para os cachos em início de formação. Nesta ocasião pode-se adicionar o B.

No caso de aparecimento de frutos com podridão-apical, recomenda-se pulverizações, a cada seis dias, de calda com 0,6 % de cloreto de cálcio (600 g por 100 litros de água), direcionadas principalmente para os frutos. Entretanto, a prevenção da podridão-apical deve ser feita antes do plantio, com uma calagem bem feita, com antecedência mínima de dois meses do plantio e fornecimento dos demais nutrientes de forma equilibrada, com bases na análise do solo. O emprego do superfosfato simples no sulco, além de suprir P2O5, atua como fonte prontamente disponível de Ca e S, o que reduz a incidência da podridão-apical.

Magnésio

Por ser o magnésio (Mg) um elemento muito demandado pelo tomateiro, é comum o surgimento de sintomas de deficiência nas lavouras. É um elemento de fácil translocação na planta, sendo carreado das folhas velhas para as novas. Por esta razão, os sintomas de deficiência de Mg surgem nas folhas mais velhas da parte inferior das plantas (amarelo baixeiro), que se caracterizam por amarelecimento da região do limbo foliar localizado entre as nervuras, as quais permanecem verdes (clorose internerval).

No caso de aparecimento de sintomas de deficiência de Mg, recomenda-se pulverizações semanais com sulfato de magnésio a 2% (2kg/100L de água).

Enxofre

São raros os relatos de deficiência de enxofre (S) na cultura do tomate. Entretanto, com a utilização constante de adubos que não possuem este nutriente em sua composição, como a ureia, o superfosfato triplo e o cloreto de potássio, os teores no solo podem se tornar limitantes. Neste caso, as plantas apresentam as folhas mais novas pequenas e com coloração verde-clara, tornando-se amarelas e finas. Geralmente, a demanda de S pelo tomateiro tem sido atendida quando se utilizam fertilizantes que o contenham em sua composição, como os sulfatos e o superfosfato simples.

Boro

Nas regiões produtoras de tomate, o boro (B) é o micronutriente que apresenta maior frequência de sintomas de deficiências. As plantas apresentam leve clorose internerval nos folíolos das folhas jovens, que permanecem pequenas, deformadas e enroladas para dentro. Ocorre, também, encurtamento dos entrenós e morte da gema terminal. Já os frutos novos apresentam manchas de coloração marrom, que progridem para toda a superfície do fruto, havendo alto índice de lóculo aberto.

O B é imóvel no floema. Por esta razão, quando aplicado por via foliar corrige a deficiência somente nas folhas e frutos que o recebem; as novas folhas e frutos que se formam mais tarde poderão apresentar novamente sintomas de carência, necessitando, portanto, de sucessivas aplicações. Observações de campo mostram que mesmo com a aplicação semanal de bórax via foliar, esta não foi mais eficiente do que a aplicação de B via solo.

Limites entre deficiência e excesso de B no solo são bastante estreitos, necessitando cuidados com a dose a ser aplicada. Aplicações de 30 kg/ha de bórax têm suprido a demanda da planta para obtenção de altas produtividades. Em caso de deficiência, além da aplicação via solo, recomendam-se pulverizações semanais de ácido bórico a 0,3% (300g/100L de água).

Zinco

Deficiências de zinco (Zn) têm sido constatadas em lavouras instaladas sobre solos argilosos, com excesso de calagem e altos teores de P. Por ser imóvel no floema, os sintomas surgem nas partes novas da planta, com encurtamento dos entrenós e folhas novas pequenas com leve clorose. Neste caso, recomendam-se, além da aplicação no solo de 5 kg/ha de Zn, pulverizações semanais com sulfato de zinco a 0,3% (300g/100L de água).

Silício

Do ponto de vista fisiológico, o silício (Si) não é considerado essencial ao crescimento e desenvolvimento das plantas. Entretanto, em diversos casos, demonstrou-se efeito benéfico sobre a produtividade e resistência a doenças de algumas plantas, como a cana-de-açúcar, o arroz e outras gramíneas (EPSTEIN, 1994).

O tomateiro não é considerado planta acumuladora de Si. Alguns trabalhos vêm mostrando resposta à aplicação de silicatos, principalmente silicatos de cálcio. Porém, deve-se atentar para o fato de que a resposta pode ser devido ao Ca2+, uma vez que o tomateiro é muito exigente deste elemento. Aplicações de silicato de cálcio em lavouras de tomate bem supridas em cálcio não responderam ao Si (LANA et al., 2002; PEREIRA; VITTI; KORNDORFER, 2003).

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Fonte

Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural. Tomate. Vitória – ES: Incaper, 2010.

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Murilo Salvador
Murilo Salvador
Técnico Agrícola com Habilitação em Agropecuária (IFES); Licenciado em Ciências Agrícolas (IFES) e Bacharelando em Medicina Veterinária (UNESC).