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Tipos de Semeadura para Hortaliças

Confira o artigo sobre os tipos de semeadura para hortaliças, escrito por Flávia Maria Vieira Teixeira Clemente.

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De acordo com a base da proposta deste artigo, mencionaremos alternativas para produção de mudas que poderão atender às necessidades de uma produção em pequena escala com baixo (ou nenhum) custo de investimento. Porém, em função do avanço dos sistemas de cultivo e da viabilidade de pequenos produtores poderem adotar técnicas mais avançadas, apresentaremos também a opção do cultivo de mudas em bandejas ou em canteiros definitivos.

As alternativas mais simples são as opções de recipientes como copos de jornal ou de plástico, fazer a divisão de caixas de madeira com fitas de papelão ou reutilizar garrafas PET recortadas na forma de vasos ou copos.

Seja qual for o recipiente utilizado, este deve ter furos (orifícios) na parte inferior que sirvam como dreno e que sejam elevados em relação ao solo para promover poda natural das raízes, evitando-se o enovelamento na parte inferior do recipiente.

Semeadura em bandejas

O cultivo de mudas de hortaliças em bandejas é uma prática vantajosa, uma vez que as condições de produção, principalmente com relação à germinação das sementes, emergência das plântulas e a facilidade de realização dos tratos culturais, podem ser controladas, de forma a otimizar o manejo a ser realizado, pois os recipientes proporcionam melhor utilização do espaço na área de produção.

Com relação aos tratos culturais, mais especificamente em relação ao desbaste, recomenda-se essa prática no caso da emergência de plantas sem vigor ou da emergência de duas ou mais plântulas numa mesma célula, podendo repicá-las para células vazias, a fim de uniformizar o estande da bandeja.

A bandeja pode ser de poliestireno expandido (isopor) ou de plástico (Figura 5), com variações no número de células por bandeja.

Para mudas maiores, recomenda-se bandeja com células de maior volume de substrato e consequentemente menor número de células, como é o caso das bandejas com 72 e 128 células. O número de células é inversamente proporcional ao tamanho da bandeja, porém, quanto ao tamanho final da maioria dos modelos, as dimensões costumam ser iguais ou muito próximas.

Atualmente, produtores maiores e mais tecnificados, dependendo da espécie, já adotam bandejas com mais de 128 células, como as de 200 e 244. Enquanto que pequenas áreas costumam utilizar bandejas com menor número de células, em função da menor escala de produção.

As bandejas já são perfuradas na parte inferior e as mudas são produzidas de forma individualizada, favorecendo o crescimento de raízes mais vigorosas (Figura 6), sendo importante colocá-las em cima de telas de arame ou estrados para que os orifícios inferiores não sejam obstruídos. Dessa maneira, são produzidas mudas com sistema radicular envolvido por torrões que facilitam o transplante e pegamento das plântulas no local definitivo.

Uma maneira de diluir o custo inicial que se tem com a compra das bandejas é que elas permitem sua reutilização e, para isso, deve ser feita uma boa higienização com hipoclorito de sódio, para eliminar resíduos que possam disseminar doenças e pragas. Recomenda-se colocar as bandejas de molho por 30 minutos na solução de 10% de hipoclorito de sódio (por exemplo, em 30 L de água deverão ser colocados 3 L de hipoclorito de sódio). Após o tempo indicado, não se deve enxaguar as bandejas e sim deixá-las secar ao sol.

Por todas as vantagens na otimização da área e dos tratos culturais necessários, o cultivo de mudas em bandejas fomentou grandemente a produção em cultivo protegido, pois se conseguiu reduzir as perdas de mudas no campo, aumentar a produtividade fora da época de cultivo recomendada e diminuir os riscos associados à produção. Esse sistema promove consideravelmente a redução e racionalização do uso de insumos, maior relação percentual entre sementes plantadas e mudas obtidas e consequentemente, como mencionado, melhor aproveitamento da área destinada à produção de mudas propriamente ditas (Figura 7).

Para o planejamento da produção de mudas em ambiente protegido devem-se incluir todos os gastos, desde a estrutura até a logística de distribuição, além de ter mão de obra exclusiva para os tratos culturais.

Em geral, a área de produção em ambiente protegido deve ser localizada perto do local definitivo de plantio, para que o acesso seja rápido e fácil.

A localidade dessa área deve ainda preencher alguns requisitos como:

– estar próxima à moradia da família ou da comunidade, pois isso facilita a presença constante das pessoas responsáveis pelo trabalho, que deve resguardar a área para evitar a entrada de animais e uma possível depredação;

– possuir bancadas em nível, mesmo que o terreno possua declive. Se necessário, construir externamente curvas de nível e/ou valas para a contenção da erosão;

– ser instalada em local totalmente ensolarado, com o comprimento das bancadas voltado para o sentido norte-sul e, se possível, que a vegetação ou construções mais próximas estejam a mais ou menos 10 metros de distância, para evitar sombreamento;

– dimensionar a área protegida em função do número de espécies e da quantidade de mudas que serão produzidas, do comprimento das bancadas e dos corredores;

– possuir água de boa qualidade (livre de impurezas e sem cheiro) e disponível em abundância para a irrigação. Recomenda-se instalar caixas d’água perto do ambiente para armazenar esse insumo. Caso não haja um sistema de irrigação, o emprego dessas caixas facilita a rega com mangueiras e/ou regadores;

– ser fechada lateralmente com sombrite, clarite ou tela antiafídeos apropriada para impedir a entrada de insetos vetores de doenças, e para proteger contra ventos evitando danos às mudas. A grande vantagem da tela é favorecer a circulação de ar e diminuir a temperatura interna em dias muito quentes. Com relação às doenças, recomenda-se também a construção de pedilúvio para desinfetar os calçados dos trabalhadores do local.

– toda a área do viveiro, inclusive as laterais externas, deve estar limpa e capinada para evitar possíveis focos de contaminação das mudas, principalmente devido ao acúmulo de restos de material vegetal provenientes de capinas e desbastes. Vale lembrar que ferramentas e utensílios devem ser frequentemente limpos e desinfetados para ajudar na prevenção contra pragas e doenças.

Além desses pontos a serem considerados, a produção de mudas somente atinge seus índices de sucesso com utilização do substrato adequado. Tanto em relação ao custo de produção quanto à qualidade, a escolha e o manejo correto do substrato são fundamentais para a obtenção de mudas de qualidade. Independente do recipiente, deve-se utilizar um substrato que proporcione melhores condições de crescimento e desenvolvimento do sistema radicular, permitindo boa aeração, drenagem, disponibilidade de nutrientes para a muda, esterilidade biológica, uniformidade de retenção de umidade e boa agregação das raízes (torrão).

Com relação à parte microbiológica, o substrato deve estar livre de patógenos como fungos e bactérias, e de materiais propagativos, como sementes de plantas daninhas. Entretanto, microrganismos benéficos são desejáveis e devem estar presentes para disponibilizar nutrientes por meio de processos de decomposição de restos vegetais. Caso haja contaminação, a desinfecção pode ser por solarização, que é um processo que utiliza a energia solar para promover a desinfestação do substrato, eliminando a maior parte dos microrganismos indesejáveis, conforme cita Ghini (1997), na publicação “Desinfestação do solo com uso de energia solar: solarização e coletor solar”, disponível gratuitamente para download no endereço http://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/895433/1/CT01.pdf. Essa publicação demonstra como construir um coletor solar para esterilização de substratos.

De maneira geral, a técnica consiste em aquecer o substrato por tempo determinado em aquecedores solares feitos de madeira e tubos de metal ou no chão.

Outras características do substrato devem ser observadas, como a condutividade elétrica, o pH e a CTC.

A condutividade elétrica (CE) deve estar em torno de 1,0 dS/m, que permite melhor absorção dos nutrientes e esta característica está diretamente relacionada ao teor de sais solúveis – sais que se dissolvem facilmente na água desse substrato e geram uma corrente elétrica medida em dS/m. Essa medida pode ser feita através de um aparelho denominado de condutivímetro.

O pH, que interfere na absorção de nutrientes pelas mudas, na vida microbiana e no desenvolvimento das raízes, terá seu nível adequado em água entre 5,6 e 6,8 (levemente ácido) e para realizar sua aferição, deverá ser usado um aparelho chamado de peagâmetro. A título de informação, quando o pH for igual a 7,0 ele será considerado neutro, se estiver abaixo de 7,0 é denominado de ácido e caso esteja acima é considerado alcalino. Portanto, abaixo da faixa de 5,6 e 6,8 (mais ácido do que o ideal), ele deve ser corrigido com uma solução alcalina. Não é usual nos solos que o pH esteja básico e embora se conheçam algumas medidas para se reverter essa possível condição, atualmente precisaríamos de mais pesquisas de esclarecessem quanto a solução mais eficiente a ser tomada.

Quanto à capacidade de troca de cátions (CTC), recomenda-se que quanto maior for a frequência das adubações, menores deverão ser os valores de CTC do substrato.

Para medir a CTC do substrato, uma análise química deverá ser feita em um laboratório de solos.

O substrato pode ser comprado pronto, como os organo minerais comercializados em lojas de produtos agropecuários, ou ser produzido na propriedade – caseiro. A escolha vai depender de custos e disponibilidade dos ingredientes para formular um substrato que contenha as características citadas acima. Tanto para o substrato comercial quanto para o “caseiro”, geralmente, utilizam-se ingredientes de quatro origens, sendo elas:

(1) vegetal, como tortas, bagaços, serragem, fibra de coco, pó de fibra de coco, composto orgânico, casca de arroz carbonizada, casca de árvore, terra rica em matéria orgânica, casca de pinus compostada, carvão vegetal e húmus;

(2) animal, como esterco, farinha de osso e húmus de minhoca;

(3) mineral, como vermiculita, perlita, calcário e areia; e

(4) artificial, como espuma fenólica e poliestireno expandido (isopor).

A formulação a ser usada depende muito dos ingredientes a serem misturados. Recomenda-se colocar em maior quantidade aquele ingrediente que seja de fácil aquisição e de baixo custo. De qualquer forma, a formulação a ser usada deve permitir boa disponibilidade de água e nutrientes e permitir trocas gasosas. Tecnicamente, o espaço poroso da mistura final deve estar entre 70 e 90% e densidade entre 0,3 e 0,8 g/cm3.

A utilização de materiais orgânicos na formulação de um substrato torna-o mais eficiente por melhorar sua permeabilidade, contribuindo para a agregação de partículas minerais e para correção de acidez (Figura 8).

Dependendo dos materiais usados na formulação de substratos, os teores de nutrientes nem sempre são suficientes para promover o desenvolvimento satisfatório das mudas. Dessa maneira, fazer uma análise química é importante para saber o quanto aquele substrato será capaz de nutrir as mudas e se haverá necessidade de suplementação de nutrientes. A suplementação pode ser feita tanto por enriquecimento com fertilizantes adicionados por ocasião de sua formulação, como também por meio de irrigações/pulverizações periódicas com solução nutritiva, durante o desenvolvimento das mudas.

Várias pesquisas vêm sendo desenvolvidas no sentido de se caracterizar e testar, de maneira criteriosa, novos materiais para serem usados como substratos. A busca desses materiais tem como principal objetivo desenvolver produtos que sejam usados de forma sustentável, evitando ao máximo a utilização de fontes não renováveis. Como exemplos, têm-se o lixo urbano, os resíduos da produção de papel e o uso potencial do resíduo da indústria da água-de-coco (pó da casca de coco verde).

Semeadura direta em canteiros (Sementeiras)

Nesse tipo de sementeira são produzidas mudas de raiz nua que posteriormente serão transplantadas para os canteiros definitivos em covas e/ou sulcos. Esse sistema é mais utilizado para produções de pequena escala onde os canteiros são construídos no chão e as dimensões devem ser de acordo com a demanda de mudas e do número de espécies cultivadas (Figura 9).

Em geral, são canteiros de 6 a 8 m de comprimento, 1 m de largura para facilitar a realização de tratos culturais e, 20 a 30 cm de altura. A preparação da terra consiste em misturá-la com o composto, o húmus e/ou o esterco bem curtido, de preferência 10 dias antes da semeadura. Os torrões devem ser quebrados e ser eliminado todo tipo de sujeira, como pedras e gravetos, para não danificar as raízes das mudas. A superfície do solo deve ser bem nivelada antes da semeadura, para que a água de irrigação não escorra e forme sulcos de erosão na sementeira. A semeadura é feita de forma adensada em sulcos rasos preparados no sentido perpendicular ao comprimento, distantes de 10 a 15 cm. A cobertura das sementes é feita com camada fina de terra peneirada.

O tempo de permanência das mudas vai depender do tamanho adequado e varia de acordo com o tamanho de cada espécie, geralmente elas deverão ter de 3 a 4 pares de folhas definitivas e/ou cerca de 8 cm de altura.

FAÇA A SUA ASSINATURA

Ou clique no link:

https://go.agriconline.com.br/pass/?sck=portal

Fonte

CLEMENTE, Flávia Maria Vieira Teixeira. Produção de Hortaliças para Agricultura Familiar. 1 ed. Brasília – DF: Embrapa, 2015.

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Murilo Salvador
Murilo Salvador
Técnico Agrícola com Habilitação em Agropecuária (IFES); Licenciado em Ciências Agrícolas (IFES) e Bacharelando em Medicina Veterinária (UNESC).